União Europeia quer saída breve do Reino Unido

União Europeia quer saída breve do Reino Unido

Se depender dos países que formam a chamada União Europeia (UE), o Reino Unido não deve demorar muito a sair do bloco

Se depender dos países que formam a chamada União Europeia (UE), o Reino Unido não deve demorar muito a sair do bloco. Na última sexta-feira (24/06), foi divulgado o resultado de referendo, em que 52% dos britânicos preferiram não mais fazer parte da UE. Assim, houve a vitória do chamado Brexit (ou Britain exit, saída da Grã-Bretanha), como foram chamados seus idealizadores.

Reunião de emergência define urgência

Após serem oficialmente comunicados da decisão, os líderes das nações do bloco decidiram se reunir em caráter de emergência em Berlim. Nessa conferência, ficou resolvido que a saída do Reunido Unido deverá acontecer o mais brevemente possível. Participaram da reunião representantes da França, Alemanha, Holanda, Itália, Bélgica, Luxemburgo, além de outros integrantes.

Premiê britânico anunciou intenção oposta

Toda essa pressa, no entanto, vai em direção contrária ao que o premiê britânico, David Cameron, havia anunciado. O dirigente, que era contra essa saída, deve sair do cargo até outubro deste ano. Depois disso, começaria o processo de desfiliação do Reino Unido, que aconteceria sob o comando do próximo primeiro-ministro.

Embora algumas favoráveis ao fim desse acordo tenham também manifestado que não há urgência nessa retirada, essa não é a intenção de grande parte dos demais países. A França, por exemplo, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, expressou que os britânicos devem acionar imediatamente o Tratado de Lisboa, na sua Cláusula 50.

Prazo para saída era de 2 anos

De acordo com esse documento, que trata das normas para a saída de países do bloco, as nações têm um prazo de até dois anos para poder deixar o a UE. Isso significa que isso poderia acontecer somente em 2018. No entanto, autoridades como o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, não entendem por que esperar até outubro para começar as discussões.

Divórcio não deve ser nada amigável

Conforme previsão de Juncker, essa separação em relação aos britânicos não deve ser totalmente pacífica. Conforme afirma o dirigente, essa relação nunca foi muito amigável. Mas a escolha feita pela população do Reino Unido pode tornar esse relacionamento um pouco mais complicado.

Como resposta, os membros da União Europeia devem demonstrar mais austeridade para que os britânicos não consigam manter os privilégios econômicos que têm atualmente por fazer parte do bloco. Isso evita que o reino Unido apenas use essa saída para evitar a imigração.

Temor de que outros países da UE queiram mesmas vantagens

Essa é ainda uma questão política, já que os demais países integrantes da UE poderiam ambicionar os mesmos benefícios. Isso, na verdade, aconteceu com um pequeno grupo da ala separatista da França. Eles aproveitaram a vitória do Brexit para também fazer reivindicações para que os franceses também se retirem do bloco. Mas os protestos foram inexpressivos.

Essa inédita decisão espontânea do Reino Unido poderia ecoar ainda para as outras 28 nações. E isso que tem justificado ainda a urgência dos países da UE em iniciar o processo para desfiliação dos britânicos.

Medida pode viabilizar a independência da Escócia

Embora o assunto não tenha sido mencionado pelos ministros na reunião em Berlim, um problema que os britânicos podem enfrentar depois dessa decisão é a possível independência da Escócia. Embora o Brexit tenha vencido, mais de 60% dos escoceses votaram pela permanência na UE.

Isso eleva as tensões entre os escoceses e os demais países britânicos. Portanto, as chances de separação entre eles também são grandes. Em 2014, um plebiscito sobre a independência do país resultou em 55% da preferência pela permanência da Escócia no Reino Unido. Há, portanto, a possibilidade de um novo referendo com o quadro atual.

O presidente do governo da Escócia, Nicola Sturgeon, já anunciou neste sábado (25/06) que pretende garantir os direitos escoceses dentro da UE. E, para isso, pretende iniciar conversas com Bruxelas. Basta agora esperar para ver o que acontecerá com o isolamento do Reino Unido em relação ao restante da Europa e do mundo.