Temer e Aécio teriam ligação com propina

Temer e Aécio teriam ligação com propina

Temer teria negociado cerca de R$ 1,5 milhão de caixa da empresa para financiar a campanha de Gabriel Chalita em 2012

A deleção premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, revelou, na última quarta-feira (15/06), possível elo do presidente interino Michel Temer e do senador Aécio Neves (PSDB-MG) com propinas da estatal. Temer teria negociado cerca de R$ 1,5 milhão de caixa da empresa para financiar a campanha de Gabriel Chalita em 2012, quando ele tentava ser prefeito de São Paulo.
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Aécio também teria captado propina para financiar alguns deputados federais de modo a conseguir apoio para se eleger presidente da Câmara Federal, em 2001. Além disso, desde março deste ano, após ser citado na delação premiada de Delcídio do Amaral, o senador já tem dois inquéritos abertos para investigar recebimento de recursos ilícitos.

Doação eleitoral da Queiroz Galvão teria financiado Temer

De acordo com Machado, em setembro de 2012, houve repasse a Chalita por meio de doação oficial da Queiroz Galvão, empreiteira que prestava serviços para a Transpetro. No entanto, o atual presidente da República teria pedido o auxílio devido a problemas financeiros na campanha à prefeitura.

A solicitação de Temer mostra que ele desejava dinheiro ilícito de empresas contratadas pela estatal. E isso aconteceu mascarado, como se fosse algo oficial. As informações foram divulgadas pelos jornais Folha de S. Paulo e Estadão.

Machado confirma dados de áudio

Na delação, também foi esclarecido um áudio que tinha sido divulgado em maio deste ano. Em conversar com José Sarney, ele teria dito: “Pro Michel, eu dei”. E esse, na verdade, se tratava do Temer, referente ao dinheiro que Machado teria prometido para financiar o candidato Gabriel Chalita, nas eleições municipais de 2012.

Logo após divulgação desse áudio, Temer havia negado que fez qualquer solicitação a Sérgio Machado. O presidente da República interino alega nunca ter falado sobre esse assunto com o empresário. Segundo ele, em 2012, ele não estava se candidatando a nenhum cargo público. Portanto, este ano, não teria como receber doação de empresas.

Aécio teria comprado apoio de deputados

Outro ponto crucial na delação do ex-presidente da Transpetro foram suas informações a respeito de propina ao senador Aécio Neves. O tucano teria combinado com o presidente nacional do PSDB na época, Teotônio Vilela Filho.

Assim, Aécio teria conseguido recursos para que 50 deputados pudessem se eleger. Com isso, esses parlamentares o apoiariam e votariam nele para a presidência da Câmara Federal. Isso teria ocorrido em 1998, na época em que o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso tentava se reeleger.

Propinas para Aécio teriam ultrapassado os R$ 7 milhões

Machado afirma ter presenciado a arrecadação de pelo menos R$ 7 milhões de empresas brasileiras e de outras estrangeiras. O senador tucano teria recebido em espécie R$ 1 milhão. E o ex-presidente da Transpetro, por ter sido filiado ao PSDB na época, acompanhou tudo. Depois, ele migrou para o PMDB.

“Luiz Carlos Mendonça” teria sido o intermediador do processo. Embora Machado não tivesse sido claro, supõe-se que esse seria o ex-ministro das Comunicações que atuou durante o período do governo de FHC. Mendonça indicaria as pessoas para receber em dinheiro recursos ilícitos parcelados.

Como afirma Machado, esse dinheiro era entregue diretamente a cada um dos candidatos ou a seus representantes. No entanto, era o senador Aécio Neves quem teria arrecadado a maior parte dos R$7 milhões. Assim, o valor pago ao senador teria sido de, pelo menos, R$ 1 milhão.

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