Conheça algumas tecnologias do filme “Perdido em Marte” que já existem na vida real

No dia primeiro de outubro vai estrear no Brasil a versão cinematográfica do livro “The Martian”, de Andy Weir. A obra criada por Weir é fantástica e, apesar de ficcional, é recheada de referências a tecnologias existentes e é toda baseada na realidade. O trabalho de pesquisa do autor foi intenso, e ele contou até mesmo com a ajuda de amigos cientistas para calcular as órbitas citadas no diário do astronauta Mark Watney.

Para quem ainda não conhece a obra (você estava “Perdido em Marte” como aponta a tradução besta feita para o Brasil?), o livro conta a estória de um astronauta que foi abandonado por acidente na superfície de Marte, e precisa usar a ciência para garantir sua sobrevivência no planeta vermelho até que uma nova missão consiga resgatá-lo. Mas, não é assim tão simples. Como eu disse, o livro é todo baseado em tecnologias existentes, e algumas bem próximas da nossa realidade, fazendo com que o personagem não conte com recursos impossíveis e tenha que usar a ciência e inteligência para sobreviver.

E o que torna o livro (e espero que também o filme), ainda mais interessante é que muitas das tecnologias usadas pelo astronauta já existem, ou estão extremamente próximas da realidade. Então, conheça algumas delas:

Habitáculo

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Durante sua “aventura” em Marte, Watney passa boa parte do seu tempo dentro de um habitáculo, que ele chama de Hab na versão original do livro. Os astronautas que forem para Marte precisarão de uma casa como a descrita por Andy Weir, e este tipo de tecnologia já esta em teste pela Agência Espacial Norte Americana (NASA).

Segundo o site oficial da NASA, algumas tripulações já estão testando habitáculos como os descritos no livro no centro de pesquisas Johnson Space Center.

Plantações no espaço

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Os astronautas que à bordo da Estação Espacial Internacional recebem carregamentos de alimentos direto da Terra através das missões de reabastecimento. Mas, em Marte este tipo de reabastecimento irá levar pelo menos nove meses, e missões humanas de longo período no planeta precisarão de um suprimento contínuo de comida. Ou seja, eles terão que plantar o próprio alimento.

Em “Perdido em Marte”, Watney é um botânico e usa essa habilidade para criar uma pequena fazenda no espaço (isso não é spoiler, os trailers mostram isso). Pode parecer algo impossível aos olhos leigos, mas os astronautas da Estação Espacial Internacional já pesquisam sobre isso há bastante tempo, e já cultivam alface para fins de pesquisa à bordo da estação.

Recuperadores de água

Como viver por um longo período em um planeta que não tem rios, lagos, geleiras ou qualquer outra fonte de água? Em The Martian, nosso astronauta usa um “water reclaimer”, mas segundo o site da NASA, isso já é completamente possível, por mais que parece apenas ficção para nós, simples mortais. Os chamados Water Recovery System (Sistema de Recuperação de Água), ou simplesmente WRS, já fazem este trabalho na Estação Espacial Internancional.

Assim como na obra que chegará em breve nos cinemas, os astronautas de verdade também reciclam água de todas as fontes possíveis como urina, suor, escovação dos dentes e qualquer outra fonte mais nojenta que você imaginar. Nenhuma gota é desperdiçada em um ambiente onde esse recurso é totalmente limitado.

Geradores de oxigênio

Comida, água, e oxigênio. Esse é o tripé que sustenta a vida na Terra, e em qualquer outro lugar que a humanidade decida se estabelecer. Fora do nosso planeta natal não podemos simplesmente sair por aí para respirar ar puro. Para andar no solo de Marte, nosso astronauta precisa carregar seu suprimento de oxigênio mas, para ficar por lá muito tempo, ele precisa antes criar esse suprimento.

E, novamente, não estamos falando de ficção. Na Estação Espacial o Oxygen Generation System (Sistema gerador de oxigênio, como são criativos estes nomes) faz este trabalho através de um processo chamado eletrólise, que separa as moléculas de oxigênio da água, permitindo a continuidade da vida. Mas, como a água é também um bem preciso em missões como essa, a NASA já está trabalhando em um sistema de recuperação de oxigênio através de bioprodutos e dióxido de carbono.

Trajes espaciais para o ambiente de Marte

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Trajes espaciais já não são uma grande novidade, mas um específico para o ambiente de Marte é outra história, sobretudo pela ambiente hostil oferecido pela poeira vermelha do planeta. Para enfrentar o ambiente do planeta vizinho, a NASA está desenvolvendo dois projetos, o Z-2 Suit e o Prototype eXploration Suit.

Eles só não serão tão estilosos como o do Matt Damon no filme…

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Propulsão iônica

Em The Martian, a tripulação que da nave missão Ares 3 passa meses dentro na nave até chegar no planeta vermelho, e usam propulsão ionica para viajar por grandes distâncias no espaço. Esse tipo de propulsão funciona através de cargas elétricas aplicadas em gases como argônio e xenônio, o que impulsiona os ions a velocidades acima dos 300 mil quilômetros por hora.

Este tipo de propulsão permite uma aceleração contínua durante anos, e permite que naves como a Dawn Spacecraft, da NASA, minimize o consumo de combustível, principalmente durante manobras. A nave Dawn acabou de completar 5 anos em aceleração contínua, e sua velocidade já passou de 40.000km/h.

Jornada a Marte

Uma missão humana para o planeta vermelho será longa e perigosa, mas muito do que vemos no livro de Andy Weir e veremos em breve nos cinemas não está tão distante da realidade. Nossa tecnologia atual já está bem próxima de permitir que viagens como essa sejam feitas. Esperamos claro, que ninguém seja deixado por lá.