Psicologia Sócio Histórico Liv Vygotsky

Resumo do trabalho sócio histórico

Com a intenção de contribuir para a fundamentação do trabalho, o presente estudo tem por objetivo apresentar os principais pontos da psicologia sócio histórica proposta por Lev Vygotsky, um dos autores que na atualidade é uma das referências no embasamento do trabalho educacional.

Para o atendimento do objetivo proposto, este estudo está dividido em três grandes partes. Na primeira, abordaremos o início de sua vida (biografia) o contexto histórico em que nasce o projeto de Vygotsky; na segunda, será pautado sobre a fundamentação da teoria e da psicologia sócio histórica, por fim, trataremos sobre Relações Interpessoais e Aprendizagem.

Introdução

  • Trabalho Pronto – Comportamento organizacional Lev Vygotsky?

    Lev Semenovich Vygotsky nasceu a 17 de novembro de 1896 em Orsha, uma pequena cidade localizada na Bielo-Rússia. Era de uma família judaica financeiramente estável e culta. Seu pai trabalhava em um banco e numa companhia de seguros, enquanto sua mãe, uma professora formada, se dedicou mais à educação dos filhos.

    Vygotsky viveu durante um longo período em Gomel, também na Bielo-Rússia, juntamente com sua família. Foi educado em casa, até os 15 anos, por tutores particulares e desde cedo manifestou uma grande capacidade intelectual e autodidatismo, mostrando-se interessado pelos mais diversos assuntos, desde literatura até artes em geral. Também se interessou pelo aprendizado de diferentes línguas, o que lhe permitiu que entrasse em contato com materiais de diferentes procedências.

    Aos 17 anos completou o curso secundário, num colégio privado em Gomel, sendo congratulado pelo seu excelente desempenho. De 1914 a 1917 estudou Direito e Literatura, na Universidade de Moscou. Vale destacar que o trabalho que ele apresentou ao final deste curso, deu origem a um dos livros de sua autoria e intitulado “Psicologia da Arte”, que só foi publicado na Rússia em 1965.

    Vygotsky começou sua carreira aos 21 anos, após a Revolução Russa de 1917. Em Gomel, no período de 1917 a 1923, além de escrever críticas literárias, lecionou e proferiu palestras sobre temas ligados a literatura, ciência e psicologia em várias instituições. Nessa época começou a se interessar também pela pedagogia, e em 1922 publicou um estudo sobre os métodos de ensino da literatura nas escolas secundárias. Fundou nessa cidade uma editora, uma revista literária e um laboratório de psicologia no Instituto de Treinamento de Professores, local onde ministrava cursos de psicologia.

    O interesse de Vygotsky pela psicologia acadêmica começou a partir de seu trabalho com a formação de professores, onde entrou em contato com crianças portadoras de deficiências físicas e mentais, o que se tornou uma motivação para que ele pesquisasse alternativas que pudessem auxiliar o desenvolvimento dessas crianças, que foi uma excelente oportunidade para que ele viesse a compreender os processos mentais humanos, assunto que viria a ser o centro de seu projeto de pesquisa.

    Em 1924, aos 28 anos, casou-se com Roza Smekhova, com quem teve duas filhas. Neste mesmo ano, em função de sua participação brilhante no II Congresso de Psicologia em Lenine grado, foi convidado a trabalhar no Instituto de Psicologia de Moscou, quando escreveu o trabalho: Problemas da Educação de Crianças cegas, surdas-mudas e retardadas, que apresentava algumas de suas reflexões sobre o assunto.

    Entre 1927 e 1928, a “troika” associou-se e transferiu-se para o laboratório de psicologia do Instituto de Educação Comunista, ao qual se associou. Foi nesse mesmo período que Vygotsky começou a criar o Instituto de Estudos da Deficiência, com o objetivo de estudar o desenvolvimento de crianças anormais.

    Neste período Vygotsky escreveu alguns importantes trabalhos dentre eles: A pedologia de crianças em idade escolar (1928); Estudos sobre a história do comportamento (escrito juntamente com Luria) (1930); O instrumento e o símbolo no desenvolvimento das funções psicológicas superiores (1931); Lições de psicologia (1932); Fundamentos da Pedologia (1934); Pensamento e Linguagem (1934); Desenvolvimento mental da criança durante a educação (1935) e A criança retardada (1935).

    O que vale destacar na obra de Vygotsky foram suas pesquisas sobre os processos de transformação do desenvolvimento humano na sua dimensão filo genética, histórico-social e ontogenética. Deteve-se no estudo dos mecanismos psicológicos mais sofisticados (as chamadas funções psicológicas superiores), típicos da espécie humana: o controle consciente do comportamento, atenção e lembrança voluntária, memorização ativa, pensamento abstrato, raciocínio dedutivo, capacidade de planejamento, etc.

    Seguindo as premissas do método dialético, procurou identificar as mudanças qualitativas do comportamento que ocorrem ao longo do desenvolvimento humano e sua relação com o contexto social. Coerente com este propósito, Vygotsky fez, no final da década de 20 e no início da década seguinte, relevantes reflexões sobre a questão da educação e de seu papel no desenvolvimento humano.

    A obra de Vygotsky tem uma grande importância na medida em que ele foi o primeiro psicólogo moderno a sugerir os mecanismos pelos quais a cultura torna-se parte da natureza de cada pessoa. Ou seja, segundo ele, a complexidade da estrutura humana, deriva do processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas relações entre história individual e social.

    Trabalhou com talentosos pesquisadores, dentre eles: Alexander Romanovich Luria e Alexei Nikolaievich Leontiev, principais colaboradores de Vygotsky e que o acompanharam até sua morte.

    O pensamento marxista também foi para ele uma fonte científica valiosa. Pode-se identificar os pressupostos filosóficos, epistemológicos e metodológicos de sua obra na teoria dialético-materialista. As concepções de Marx e Engels sobre a sociedade, o trabalho humano, o uso dos instrumentos, e a interação dialética entre o homem e a natureza serviram como fundamento principal às suas teses sobre o desenvolvimento humano profundamente enraizado na sociedade e na cultura.

    Foram seus contemporâneos os teóricos comportamentalistas, defensores da associação entre estímulos e respostas, dentre os quais pode-se destacar: Ivan Pavlov e John B. Watson, que serviram como uma base para a contraposição do pensamento de Vygotsky.

    Ele também foi contemporâneo do epistemólogo suíço Jean Piaget e reconheceu a riqueza do método clínico adotado por Piaget, no estudo do processo cognitivo individual, e a semelhança de interesse no estudo da gênese dos processos psicológicos, apesar de apontar suas divergências principalmente em relação à interpretação da relação entre pensamento e linguagem.

    A partir de 1932, a obra de Vygostky começou a receber severas críticas, na Rússia, sendo consideradas “idealistas” pelas autoridades soviéticas. As ideias de Pavlov na época eram mais valorizadas porque os marxistas apoiavam a abordagem pavloviana de que os seres humanos devem ser considerados apenas em função de suas reações ao ambiente exterior.

    Vygotsky contestava essa posição, uma vez que para ele os seres humanos não deveriam ser considerados dessa forma, mas também deveria se considerar a maneira pela qual eles criam seu ambiente, o que por sua vez dá origem a novas formas de consciência.

    Vygotsky morreu em Moscou em 11 de junho de 1934, vítima de tuberculose, doença contra a qual lutou durante 14 anos. Após sua morte teve a publicação de suas obras proibida na União Soviética, no período de 1936 a 1956, devido à censura do totalitário regime stalinista e foi ignorado pela cultura ocidental durante um longo período. Em 1962, foi lançada a primeira edição do livro Pensamento e linguagem nos Estados Unidos e no Brasil, o primeiro contato com uma de suas obras, A formação social da mente, só se deu em 1984.

    Apesar do conhecimento tardio e incompleto de sua obra, Vygotsky é considerado atualmente um dos mais importantes psicólogos do século XX. É significativa a influência e repercussão que sua obra vem provocando na psicologia e educação, não só no Brasil bem como em outros países ocidentais.

    Contexto em que nasce o projeto de Vygotsky

    A revolução socialista de outubro de 1917 enfrentou nos primeiros anos um período tumultuado, marcado por uma guerra civil, pela intervenção estrangeira e por uma situação econômica sufocante que levou a nação russa à escassez de alimentos, penalizando sua população com um longo período de fome, vitimando muitas pessoas, inclusive Vygotsky, com tuberculose. Esta situação levou o novo regime a implantar um comunismo de guerra, o que culminou em 1921, sob a liderança de Lenin, com a consolidação do regime comunista no país.

    Vitoriosa a Revolução, a Rússia encontrava-se em estado lastimável. Tudo estava por construir. Um dos mais sérios problemas a enfrentar era o da educação. Consta que por aquela época o índice de analfabetismo girava em torno de 70%. Mesmo sob essas circunstâncias, porém os dirigentes que conduziam o novo estado desejavam promover uma renovação que não se limitava somente a reconstruir o país. O objetivo maior era construir, sob a tutela da teoria marxista, uma nova sociedade, o que implicaria, também, a construção de uma nova ciência. Nos dizeres de Rosa & Montero (1996),

    o conhecimento deveria ter sido um dos pilares dessa nova sociedade,

    considerando que, de acordo com a teoria marxista, ele evita a alienação no

    trabalho e liberta o homem. Mas, (…), a filosofia marxista contém uma

    epistemologia materialista e uma lógica dialética que requer o desenvolvimento

    de uma nova concepção de ciência. (p.70)

    Um dos grandes problemas enfrentados pelos pesquisadores que deveriam levar avante a construção da nova ciência foi justamente o fato dos limites impostos pelos dirigentes da nação, isto é, tomar por base, tão-somente, a filosofia marxista. O desafio era grande, principalmente, porque não havia unicidade, entre os marxistas russos, sobre a interpretação do materialismo. A controvérsia entre eles os dividia em duas correntes: uma mecanicista e outra dialética. Segundo os mecanicistas, a ciência é autossuficiente e descobre suas próprias leis por meio da pesquisa; já os dialéticos defendiam um princípio exploratório aberto e não determinista, acreditando que os eventos são dependentes da ação humana, ou seja, a consciência é uma característica humana, e é ela que favorece a disposição para a construção dos eventos. Outro fator importante é a subida de Stalin ao poder, após a morte de Lenin em 1924. Stalin, por meio de sua interpretação pessoal das idéias de Lenin e do marxismo, promove um dos maiores expurgos da esquerda comunista, mas, ao mesmo tempo, implementou as políticas que esta linha defendia e, posteriormente, eliminou a facção direitista, passando a exercer um governo absolutista. O próximo passo foi a interferência na área educacional. Sob a alegação de que o desempenho das crianças na escola era deficiente, foi imposto um currículo fechado, e o sistema de projetos, adotados logo após a revolução, foi suprimido.

    O ponto culminante da interferência política ocorre na psicologia com a edição do decreto intitulado “Sobre as Perversões Pedológicas no Sistema de Comissariado do Povo para a Educação”. Este decreto baniu os testes psicológicos, assim como a psicologia, das áreas da educação e da indústria. Como consequências vários periódicos sobre psicologia deixaram de ser editados; cursos e institutos foram fechados; o ensino de psicologia ficou relegado ao plano de treinamento de professores nas faculdades, e muitos pesquisadores da área, inclusive Vygotsky, que já havia falecido, passaram a fazer parte de uma lista negra do poder que proibia, em todo o território nacional, as suas obras. Foi somente após a morte de Stalin, em 1953, de acordo com Rosa & Montero (1996), que os trabalhos de Vygotsky voltam a ser publicados, a partir de 1956. Esse foi o cenário no qual Vygotsky idealizou, desenvolveu e aplicou seu trabalho, mas não o viu ser banido e reintegrado.

    A Fundamentação de sua proposta

    Vygotsky surge na psicologia num momento significativo para a nação russa. Logo após ter-se consolidado a revolução, emerge uma nova sociedade, que, consequentemente, exige a constituição de um novo homem. Nesse sentido, a primeira missão que a Revolução imprimiu para a psicologia foi a análise dos problemas de aplicação prática. Por sua formação humanista e sua bagagem cultural, Vygotsky reunia as condições necessárias para idealizar uma nova concepção de Educação, Pedologia (ciência da criança) e Psicologia.

    Segundo aponta Molon (1995), os interesses de Vygotsky pela psicologia originam-se na preocupação com a gênese da cultura. Por entender que o homem é o construtor da cultura, ele se contrapõe à psicologia clássica que, segundo sua visão, não respondia adequadamente sobre os processos de individuação e os mecanismos psicológicos dos indivíduos. Em contrapartida, elabora sua teoria da gênese e natureza social dos processos psicológicos superiores.

    Vygotsky, de acordo com Bonin (1996), empenhou-se em criar uma nova teoria que abarcasse uma concepção de desenvolvimento cultural do ser humano por meio do uso de instrumentos, em especial a linguagem, tida como instrumento do pensamento. A teoria por ele proposta surge como meio de superar o quadro apresentado pela psicologia, que se encontrava dividida em duas orientações: a naturalista e a mentalista. Na sua percepção, tal divisão acentuava a questão do dualismo mente-corpo, natureza-cultura e consciência-atividade.

    Segundo Vygotsky, um dos reflexos do dualismo é a diversidade de objetos de estudo eleitos pelas abordagens em psicologia – o inconsciente (psicanálise); o comportamento (behaviorismo) e o psiquismo e suas propriedades (gestalt) – e a incapacidade delas em darem as respostas para os fenômenos psicológicos, por trabalharem com fatos diferentes. Ou seja, para ele, as abordagens não davam conta de explicitar claramente a gênese das funções psicológicas tipicamente humana.

    Diante de tal quadro, ele propôs, então, uma nova psicologia que, baseada no método e nos princípios do materialismo dialético, compreendesse o aspecto cognitivo a partir da descrição e explicação das funções psicológicas superiores, as quais, na sua visão, eram determinadas histórica e culturalmente. Ou seja, propõe uma teoria marxista do funcionamento intelectual humano que inclui tanto a identificação dos mecanismos cerebrais subjacentes à formação e desenvolvimento das funções psicológicas, como a especificação do contexto social em que ocorreu tal desenvolvimento.

    Os objetivos de sua teoria são:

    Deste modo, as assertivas de sua teoria são:

    a) o homem é um ser histórico-social ou, mais abrangente, um ser histórico-cultural; o homem é moldado pela cultura que ele próprio cria;

    b) o indivíduo é determinado nas interações sociais, ou seja, é por meio da relação com o outro e por ela própria que o indivíduo é determinado; é na linguagem e por ela própria que o indivíduo é determinado e é determinante de outros indivíduos;

    c) a atividade mental é exclusivamente humana e é resultante da aprendizagem social, da interiorização da cultura e das relações sociais;

    d) o desenvolvimento é um longo processo marcado por saltos qualitativos que ocorrem em três momentos: da filogênese (origem da espécie) para a socio gênese (origem da sociedade); da socio gênese para a ontogênese (origem do homem) e da ontogênese para a micro gênese (origem do indivíduo único);

    e) o desenvolvimento mental é, em sua essência, um processo socio genético;

    f) a atividade cerebral superior não é simplesmente uma atividade nervosa ou neuronal superior, mas uma atividade que interiorizou significados sociais derivados das atividades culturais e mediada por signos;

    g) a atividade cerebral é sempre mediada por instrumentos e signos;

    h) a linguagem é o principal mediador na formação e no desenvolvimento das funções psicológicas superiores;

    i) a linguagem compreende várias formas de expressão: oral, gestual, escrita, artística, musical e matemática;

    j) o processo de interiorização das funções psicológicas superiores é histórico, e as estruturas de percepção, a atenção voluntária, a memória, as emoções, o pensamento, a linguagem, a resolução de problemas e o comportamento assumem diferentes formas, de acordo com o contexto histórico da cultura;

    k) a cultura é interiorizada sob a forma de sistemas neuro físicos que constituem parte das atividades fisiológicas do cérebro, as quais permitem a formação e o desenvolvimento dos processos mentais superiores.

    Vygotsky formula sua teoria por entender que os mentalistas e os naturalistas não explicavam cientificamente os processos mentais superiores. No seu entender, os naturalistas, ao aderirem aos métodos das ciências naturais, limitavam-se ao estudo de processos psicológicos relativamente simples, tais como as sensações ou comportamentos observáveis, mas ao se depararem com funções complexas, fracionavam-nas em elementos simples ou adotavam um dualismo que abria espaço para a especulação arbitrária. Já com relação aos mentalistas, ele ponderava que estes, por sua vez, levavam em consideração os fenômenos do “espírito” e, a partir de um apriorismo fenomenológico ou do idealismo, descreviam os processos mentais superiores, mas alegavam que era impossível explicá-los ou explicavam-nos de uma forma arbitrária e especulativa.

    Compartilhando da concepção marxista de que o essencialmente humano é constituído por relações sociais, negou-se a buscar explicações para as funções mentais superiores nas profundezas do cérebro ou nas características etéreas de uma alma separada do corpo.

    O trabalho de Vygotsky, segundo Molon (1995), é fortemente influenciado pelas ideias de Marx e Engels, pela dialética de Hegel, pelo evolucionismo de Darwin, pela filosofia de Espinosa e pelas ideias de Pierre Janet, entre outros pensadores.

    É a partir das ideias desses autores que Vygotsky formou sua base de entendimento de que: a) a psicologia é uma ciência do homem histórico e não do homem abstrato e universal; b) a origem e o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores é social; c) há três classes de mediadores: signos e instrumentos; atividades individuais e relações interpessoais; d) o desenvolvimento de habilidades e funções específicas, bem como a origem da sociedade, são resultantes do surgimento do trabalho – este entendido como ação/movimento de transformação – e que é pelo trabalho que o homem, ao mesmo tempo em que transforma a natureza para satisfazer as suas necessidades, se transforma também; e) existe uma unidade entre corpo e alma, ou seja, o homem é um ser total.

    Especialmente os postulados darwinianos de mutação, recombinação e seleção natural, que pressupõem instabilidade e movimento no decorrer do tempo, assim como, também, a noção de ordem e a direção da evolução, serviram de base para formulações de Vygotsky, como, por exemplo, sobre: a) as mudanças nos próprios conhecimentos e significados sociais; b) que o desenvolvimento não pressupõe uma sucessão de estágios lineares, fixos e aleatórios, mas que cada estágio supõe o seguinte, isto é, o fato de o processo de desenvolvimento ocorrer por estágios não significa que estes sigam um percurso contínuo, eles são marcados por avanços e retrocessos, mas seguem uma ordem de aparecimento, o que não implica que tenham que ser vivenciados em sua plenitude, e um estágio constitui um pré-requisito para o próximo; c) que o desenvolvimento cultural segue as mesmas leis da seleção natural; d) que o indivíduo adulto é produto de comportamentos herdados, que são modificados pelas relações sociais; e) que para explicar o comportamento humano é preciso considerar as condições biológicas e como estas são modificadas nas relações sociais-culturais.

    Outra fonte de influência foi a linguística, por suas discussões sobre origem da linguagem e sua possível influência sobre o desenvolvimento do pensamento. Essa temática influenciou sobremaneira o pensamento de Vygotsky, pois a encontramos permeando toda sua obra.

    Por último, outro ponto de influência é o cenário sociopolítico que valorizava a ciência, enquanto instrumento a serviço dos ideais revolucionários, na busca de respostas rápidas para a construção de uma nova sociedade.

    A Psicologia Sócio Histórica

    A teoria histórico-cultural ou sociocultural do psiquismo humano de Vygotsky, também conhecida como abordagem sociointeracionista, toma como ponto de partida as funções psicológicas dos indivíduos, as quais classificou de elementares e superiores, para explicar o objeto de estudo da sua psicologia: a consciência.

    • Trabalho Pronto – Comportamento organizacional

    • Vygotsky.

      Na visão de Rego (1998), é pela mediação que o indivíduo se relaciona com o ambiente, pois, enquanto sujeito do conhecimento, ele não tem acesso direto aos objetos, mas, apenas, a sistemas simbólicos que representam a realidade. É por meio dos signos, da palavra, dos instrumentos, que ocorre o contato com a cultura.

      Nesse sentido, a linguagem é o principal mediador na formação e no desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Ela constitui um sistema simbólico, elaborado no curso da história social do homem, que organiza os signos em estruturas complexas permitindo, por exemplo, nomear objetos, destacar suas qualidades e estabelecer relações entre os próprios objetos. O surgimento da linguagem, como já foi dito anteriormente, representa um salto qualitativo no psiquismo, originando três grandes mudanças. A primeira está relacionada ao fato de que ela permite lidar com objetos externos não presentes. A segunda permite abstrair, analisar e generalizar características dos objetos, situações e eventos. Já a terceira se refere a sua função comunicativa; em outras palavras, “a preservação, transmissão e assimilação de informações e experiências acumuladas pela humanidade ao longo da história”. (Rego, 1998:54)

      Em suma, a linguagem constitui o sistema de mediação simbólica que funciona como instrumento de comunicação, planejamento e auto regulação. É justamente pela sua função comunicativa que o indivíduo se apropria do mundo externo, pois é pela comunicação estabelecida na interação que ocorrem “negociações”, reinterpretações das informações, dos conceitos e significados.

      De acordo com Vygotsky, a linguagem materializa e constitui as significações construídas no processo social e histórico. Quando os indivíduos a interiorizam, passam a ter acesso a estas significações que, por sua vez, servirão de base para que possam significar suas experiências, e serão estas significações resultantes que constituirão suas consciências, mediando, desse modo, suas formas de sentir, pensar e agir.

      Considerando-se a origem do indivíduo (ontogênese), ocorrem dois saltos qualitativos no seu desenvolvimento. O primeiro, quando o indivíduo adquire a linguagem oral, e o segundo, quando adquire a linguagem escrita.

      Um outro ponto de fundamental importância no desenvolvimento das funções psicológicas superiores é o papel desempenhado pela aprendizagem.

      Desse ponto de vista, para que o indivíduo se desenvolva em sua plenitude, ele depende da aprendizagem que ocorre num determinado grupo cultural, pelas interações entre seus membros.

      Nessa perspectiva, a aprendizagem é encarada como um processo que antecede o desenvolvimento, ampliando-o e possibilitando a sua ocorrência. Em outras palavras, os processos de aprendizagem e desenvolvimento se influenciam mutuamente, gerando condições de que quanto mais aprendizagem, mais desenvolvimento e vice-versa.

      Nos estudos de Vygotsky, as relações entre desenvolvimento e aprendizagem ocupam lugar de destaque, principalmente, na educação. Ele pondera que, embora a criança inicie sua aprendizagem muito antes de frequentar o ensino formal, a aprendizagem escolar introduz elementos novos no seu desenvolvimento.

      Ele considera a existência de dois níveis de desenvolvimento. Um corresponde a tudo aquilo que a criança pode realizar sozinha e o outro, às capacidades que estão se construindo; isto é, refere-se a tudo aquilo que a criança poderá realizar com a ajuda de outra pessoa que sabe mais. Esta última situação é a que melhor traduz, segundo Vygotsky, o nível de desenvolvimento mental da criança.

      Entre esses dois níveis, há uma zona de transição, na qual o ensino deve atuar, pois é pela interação com outras pessoas que serão ativados os processos de desenvolvimento. Esses processos serão interiorizados e farão parte do primeiro nível de desenvolvimento, convertendo-se em aprendizagem e abrindo espaço para novas possibilidades de aprendizagem.

      Em síntese, a teoria psicológica construída por Vygotsky rompe com as correntes até então estruturadas e parte de uma nova concepção de realidade e de homem.

      Relações Interpessoais e Aprendizagem

      Se o desenvolvimento da inteligência exige a ação e a interação com o objeto de conhecimento, quanto menos se lida com esse objeto, menor desenvolvimento ou nenhum ocorre.

      Para avançar em meus conhecimentos preciso conectar-me comigo mesmo, com as informações e saberes que disponho e preciso conectar-me com o outro que, invariavelmente, dispõe de conhecimentos informações e saberes diferentes dos meus. Mediante confrontação, comparação e reflexão, desse processo interativo, resultará o avanço do conhecimento pessoal e coletivo. Aí estão as interseções de estruturas de pensamento. Elas poderão ser mais ou menos abrangentes, confirmadas ou negadas. Mas, de qualquer forma representarão avanços em domínios cognitivos. Assim, tornam-se essenciais às relações interpessoais. Quanto mais elaboradas, conscientes e respeitosas elas sejam, maior será a extensão das conquistas em estruturas de pensamento. Indivíduos que dispõem de conhecimentos específicos e não se permitem submetê-los a trocas, a equivalências e a prova mediante interações pessoais e grupais deixam de receber contribuições que, muitas vezes, não integram seu particular campo perceptual e de conhecimentos.

      Tópicos

      1. Qual a importância das relações interpessoais na escola, quando falamos de aprendizagem?

      Por meio das relações interpessoais, acredito, pode-se trabalhar a maioria das grandes mazelas que castigam a humanidade. Senão vejamos constrangimento, preconceito, discriminação conflito, corrupção, estresse, guerra, destruição ambiental, ignorância, exploração e mais e mais. O processo de aprendizagem está atrelado às relações interpessoais. Nesse âmbito encontra-se um infindável número de sujeitos, circunstâncias, espaços e tempos. As relações familiares, sociais, institucionais estão estreitamente relacionadas aos resultados finais de avanços ou estagnações em processos de aprendizagem. Se o desenvolvimento da inteligência exige a ação e a interação com o objeto de conhecimento, quanto menos se lida com esse objeto, menor desenvolvimento ou nenhum ocorre. Estabeleça-se então a relação com as consequências das nossas de “ensinar-se” a um aluno por meio de relações interpessoais negativas, a não gostar de aprender. Especialmente levando em conta a necessidade de sobrevivência com que vem se caracterizando aprendizagem

      2. As dinâmicas de grupo ajudam na escola?

      Cada grupo tem uma dinâmica uma forma de se colocar um entendimento de como estas partes podem se corresponder melhor um com o outro, pois é a partir deste ponto que acaba formando uma proximidade entre os participantes. É curiosíssimo e o professor deve estar atento para decifrar o que resulta desse conjunto de sujeitos colocados em um espaço, num determinado tempo, para desenvolverem atividades específicas. Ele poderá descobrir muito sobre cada um dos integrantes do grupo, sobre o grupo e sobre ele mesmo. É interessante lembrar que um mesmo grupo é um com determinado professor e outro com outro professor. Os conhecimentos sobre o como lidar com o grupo e suas relações constituem-se em um pré-requisito para a aplicação de técnicas de ensino

      3. Por que o processo de comunicação, muitas vezes, é tão difícil.

      Primeiramente porque não existe igual. Os seres humanos são únicos em sua historicidade e em sua constituição bio psicossocial. Por outro lado, somos egocêntricos. Sempre a vida toda. Não somente até os sete anos como nos foi ensinado. O querer de cada pessoa está condicionado a estes mesmos determinantes. Assim cada um de nós tem necessidades relativas aos nossos próprios percursos de vida e características pessoais e sociais. Imagine-se então quando somos colocados para conviver e trocar pensamentos, ideias, instruções sobre alguma coisa, qualquer que seja o tema. O meu certo, necessariamente não é o certo do outro. O meu jeito de fazer é diferente do jeito de fazer do outro e por aí vai. Quando se diz algo, quando se passa uma instrução, um princípio se acredita que o outro está traduzindo em conformidade com aquilo que eu queria dizer. Entretanto, isto necessariamente não acontece. O outro traduz a mensagem que eu lhe passo pelo seu repertório pessoal, sempre e inevitavelmente diferente do meu. Daí a necessidade de conferir e clarificar percepções, relativas aos processos de comunicação.

      4. Como contornar momentos difíceis sem se violentar

      Assim, o jeito de contornar e o próprio conceito de “momentos difíceis” estarão relacionados a cada indivíduo em particular. Da mesma forma está condicionada a cada pessoa, como um sistema integrado, a sua perspectiva em relação a “se violentar”. Por esses motivos cada indivíduo terá suas próprias formas e medidas em relação a essa questão. O que cada um pode exercitar é o seu potencial de aprendizagem, com o qual todo ser humano foi agraciado. Aprendemos sobre tudo, matemática, física, plantas, informática, e mais e mais. Somos mais ou menos submetidos a aprendizagens nesses campos de conhecimento. Mas, aprendemos muito pouco sobre nós mesmos

      5. Como compreender o que se passa na cabeça dos jovens

      Contemporâneo é aquele que vive ao mesmo tempo. Aí novamente entra a idéia de rede, de conexões e de interseções. Posso dizer que meu avô Leônidas é o meu contemporâneo. Ele já se foi, mas em um dado tempo, vivemos juntos. Rafaela e Letícia também são minhas contemporâneas. Calcule-se à distância entre “as cabeças” do meu avô e de minhas netas. E eu estou neste percurso interagindo com esses mundos absolutamente diversos. É preciso lembrar que o processo de construção cognitiva e de personalidade ocorre em um tempo e espaço com relações que se determinam e interinfluenciam. Aí está a ciência, tecnologia, literatura, cultura, códigos de crenças e valores em permanente movimento e modificações consequentes. Some-se a isto tudo as diferenças individuais peculiares a diferentes sexos, faixas etárias, estilos pessoais, ritmos e tempos.

      6. Como compreender o que se passa na cabeça dos amigos

      Eles sinalizam nossas possibilidades, nos dizem verdades, são companheiros nas adversidades e sucessos. Porém, como nós, são gente. E assim sendo, trazem na matriz própria da espécie humana características possíveis de serem consideradas positivas e negativas. As rupturas de amizades, por vezes, são mais dolorosas do que outros tipos de relações. Às vezes porque idealizamos expectativas de seres perfeitos. Precisamos ativar a certeza de que eles não existem

      7. Como compreender o que se passa “na cabeça” dos colegas de trabalho

      A compreensão desse relacionamento exige uma contextualização especial face às idiossincrasias do mundo atual e do trabalho no que se refere às leis trabalhistas, processo de globalização, desemprego, rotatividade de exigências, incerteza funcional, etc. As necessidades básicas de sobrevivência, por vezes, se sobrepõem às necessidades de crescimento pessoal e geram comportamentos primários e extremamente questionáveis no que se refere a princípios morais e de respeito ao outro. Muitas vezes as próprias pessoas que assim se conduzem tem consciência da extensão e negatividade de suas ações, mas buscam justificativas contextuais para suas ações

      8. O que leva as pessoas a complicar a vida

      Considere-se cada pessoa como um sistema integrado. Vários fatores influenciam e determinam o surgimento desse estilo. É claro que ele pode mudar mediante aprendizagens. Mas as aprendizagens só ocorrem quando o indivíduo se predispõe a concretizá-las. Isto porque aprendizagem é modificação de comportamento. Ou seja, eu faço algo de uma forma e mediante aprendizagem passo a fazer de outra. Então o que leva a complicações da vida? O desconhecimento de si mesmo. O não reconhecer necessidades pessoais importantes

      9. Como tornar mais agradável à convivência em diferentes espaços e minimizar atritos

      Diversidade de usos, Fachadas ativas, Dimensão social e vitalidade urbana, Ruas Completas, Áreas verdes, Participação social.

      10. Quais são os maiores equívocos nas relações interpessoais

      • Esquecer que o outro é outro.
      • Exigir do outro, condutas que ele não tem condições de desempenhar.
      • Querer que o outro pense como eu penso, goste do que eu gosto, queira o que eu quero.
      • Achar que o poder se concentra de um único lado das partes envolvidas em um relacionamento.
      • Acreditar que se pode mudar o outro.
      • Negar-se como pessoa única.
      • Ver a possibilidade de abdicar de um querer pessoal como sinal de fraqueza.

      Se o indivíduo não está em processo terapêutico, como percebemos o que está acontecendo ao redor de nós e dentro de nós de forma clara.

      Aprender sobre si mesmo e sobre o outro em um mundo em constante mutação podem transformar-se em procedimentos pedagógicos inseridos como temas principais ou transversais nas mais variadas áreas de conhecimento. Imagine-se a população mundial condicionada a exigência de trabalho terapêutico para uma interpretação existencial clara. Missão impossível. E o que faríamos com Freud, Emerson, Sócrates, Confício, Platão, Marx, Einstein que, construíram fantásticos paradigmas existenciais mediante observações, aprendizagens estudos e reflexões? E outros tantos exemplares leitores anônimos da vida que, revelam sabedoria e grandeza no exercício de viver? Lidar com nossas realidades, trocar, conferir são tarefas para todo dia em todos os espaços em que se encontram pessoas. As atitudes de curiosidade, observação, interação e reflexão nos introduzirão no fabuloso mundo do outro e nos tornarão mais compreensivos e solidários, conforme apregoa Vigotsky: na ausência do outro o homem não se constrói homem.

      Conclusão

      Como foi falado inicialmente, nesse estudo relatamos um pouco do tema psicologia sócio histórica. Como ponto de partida temos o psicólogo Lev Vygostsky e suas teorias, a teoria histórico-cultural ou sociocultural do psiquismo, são estudos voltados à consciência humana. Segundo Vygostsky, o homem se desenvolve a partir do momento que se relaciona com a sociedade, pois cada um tem uma forma de pensar, agir, têm conhecimentos e informações diferentes um dos outros.

      Nós seres humanos, vivemos em um mundo em constante evolução, portanto devemos “esquecer que o outro é apenas outro” e, como futuros gestores devemos ter uma perspectiva diferente com relação ao próximo, aprender a entender o outro, a ser flexível, saber escutar e o mais importante: notar quando há necessidade de ajuda no outro, para que venham benefícios de forma mútua.

      Referências Bibliográficas

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