Reforma da previdência deve ter 50% da proposta original, diz Meirelles

Ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirma que reforma da Previdência deve ser “enxugada” para ser votada ainda este ano

Foto: Alessandra Modzeleski

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmou nesta quinta (9) que a reforma da Previdência deve manter cerca de 50% da proposta original. A entrevista foi dada após um café da manhã na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em que também contou com o presidente Michel Temer e aliados do governo.

Esta é a primeira vez que Meirelles sinaliza que a reforma da Previdência poderá ter metade de suas propostas originais. A fala vem após rumores de que o governo havia desistido do projeto neste ano, o que provocou críticas e incertezas no chamado mercado financeiro.

Segundo Henrique Meirelles, o governo deseja aprovar as mudanças ainda em 2017. “A questão é que se concluiu o entendimento de que é necessário votarmos a reforma da Previdência e encaminhar o mais rápido possível. Eu fiz uma explanação bastante enfática e clara mostrando a necessidade”, disse o ministro.

resistência

A reforma da Previdência encontra altas rejeições na população e, devido ao ano eleitoral, congressistas estão receosos de votar a favor do projeto. Pesquisa do Datafolha apontou que 71% dos brasileiros são contra as mudanças. O entendimento é de que o posicionamento encontraria resistência nas bases eleitorais e dificultaria as reeleições dos parlamentares.

O relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA), afirmou que está dialogando para convencer os deputados. “Estamos hoje fazendo essa proposta com os líderes para ver o que está criando mais dificuldade para o parlamentar votar. A percepção exata vai acontecer quando os líderes conversarem com as suas bancadas”, explicou.

O líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou não ter previsão de votação ainda. “Não tenho dúvida de que nos próximos dias haveremos de ter um posicionamento da base em relação a esse tema. Ainda não dá pra fazer previsão, porque primeiro é preciso fazer avaliação política em torno da aceitação desta proposta colocada”, explicou.

base encolhida

Os números da votação da segunda denúncia contra Temer e a contínua baixa popularidade do governo encolheram a base aliada. O ano eleitoral que está por vir também está fazendo com que congressistas queiram se descolar da imagem de rejeição que o governo tem.

As mudanças na Previdência aguardam ser votadas desde maio deste ano. Por se tratar de uma emenda constitucional (PEC), ela necessita de, no mínimo, 308 votos favoráveis em dois turnos na Câmara. Depois, ainda precisa ser aprovada por 3/5 do Senado Federal, também em dois turnos.

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