Procurador diz que vai abrir “caixa preta das delações”

 

O procurador Ângelo Goulart Villela, que foi preso por receber propina de executivos da JBS para vazar informações sigilosas de investigações, afirmou que quer expor a todos os métodos usados pela equipe de Rodrigo Janot durante a sua gestão na Procuradoria-Geral da República, que chegou ao fim no último dia 17.

De acordo com ele, que afirmou que irá abrir a “caixa preta das delações”, são utilizados diversos métodos de pressão com o objetivo de obter acusações contra alvos pré-definidos. Uma dessas técnicas seria o vazamento de informações sobre negociações de delação, estimulando os delatores a direcionarem os seus depoimentos.

A revelação, caso realmente aconteça, será feita durante a CPI da JBS. Além de Villela, foi convocado também o procurador Marcelo Miller, que largou seu cargo no MP para trabalhar no escritório de advocacia que atendia a JBS, o Trench, Rossi e Watanabe. O depoimento está agendado para o dia 26 de setembro, terça-feira.

Vilella foi preso pela Operação Patmos, e, no momento, responde em liberdade por corrupção passiva, violação de sigilo funcional e obstrução da Justiça. Ele foi delatado por Joesley Batista, que revelou o pagamento de R$50 mil mensais com o objetivo de que Ângelo vazasse informações. A transação era mediada pelo advogado da J&F, Willer Tomaz.[ads1]

Parlamentares irão depor contra Janot

É esperado que a CPI da JBS ceda espaço para que os parlamentares façam depoimentos críticos contra Janot, uma vez que muitos políticos foram denunciados por ele. O ex-procurador geral da República atraiu as atenções da Polícia Federal quando foi descoberto que Miller favorecia as ações da J&F – holding que controla a JBS – antes mesmo de abrir mão do Ministério Público.

Os investigadores da PF acreditam que a equipe de Janot tinha conhecimento da influência de Miller nas negociações de delação de Joesley e de outros executivos da holding. Indícios também apontam para o crime de corrupção passiva.

De acordo com Vilella, se Miller relatar a forma de atuação do ex-procurador geral da República, as consequências serão devastadoras para Janot. Ele mesmo estaria disposto a contar sobre as relações entre o gabinete da procuradoria geral e o do Ministro Edson Fachin, que relator da Lava Jato no STF.

A ligação citada teria relação com o casamento de Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Janot, e Debora Santos, assessora de imprensa do ministro do STF. A jornalista se defendeu das acusações afirmando que Fachin sabia de seu casamento com Pelella e negou a existência de qualquer ligação entre a Procuradoria e o STF por meio de sua vida particular.

Janot não queria passar o cargo à Raquel Dodge

Vilella afirmou ainda que Janot “tinha pressa” em denunciar Michel Temer. O objetivo seria barrar Raquel Dodge na sucessão da Procuradoria Geral da República. De acordo com ele, o ex-procurador geral tinha certeza de que conseguiria impedir a posse de Raquel.

Ele teria, inclusive, presenciado uma conversa em que Janot afirmou que sua caneta não iria fazer seu sucessor, mas que ainda havia tinta suficiente para conseguir vetar um nome. Seus esforços, no entanto, foram em vão e Dodge assumiu após a sua saída do cargo.

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