Olimpíadas Rio 2016 custaram mais do dobro previsto

Olimpíadas Rio 2016 custaram mais do dobro previsto

 

Orçamento previa gastos de US$4,6 bilhões, mas valor ficou em torno de US$ 6,2 milhões

 

Iniciados oficialmente nesta sexta-feira (05/08), os Jogos Olímpicos Rio 2016 acabaram custando 51% a mais do que o planejado. Estudo da Universidade de Oxford comprovou que houve um excedente de cerca de US$ 1,6 bilhão para a realização do evento. Somente a abertura custou R$230 milhões, embora tenha sido orçada em R$160 milhões.

 

Mais barato que edições anteriores –

De acordo com a instituição de ensino, embora o valor previsto tenha sido ultrapassado, ele pode ser até considerado baixo, quando equiparado ao custo de outras edições, como Barcelona ou Londres. O maior problema do Brasil, no entanto, foi que a situação econômica se tornou desfavorável.

 

Em 2008, quando o Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas 2016, a situação do país era diferente. Enquanto o restante do mundo enfrentava uma crise, o Brasil passava ileso e mantinha sua economia forte e com números crescentes. Mas as coisas mudaram e, segundo especialistas, na atual condição, não há recursos suficientes para arcar com todas as despesas do evento.

 

Estado de calamidade nas finanças –

De maneira geral, todo o país tem enfrentado uma extensa crise financeira. Mas a questão é ainda mais grave no Rio de Janeiro, local da sede dos Jogos Olímpicos. O governador interino do Estado, Francisco Dornelles, declarou calamidade pública recentemente. E até o salário de funcionários públicos, como professores, policiais e agentes de saúde tem sido parcelado.

 

A data de pagamento oficial foi inclusive adiada tantas vezes que a diferença foi quase de um mês em relação ao período original. As obras para o metrô também sofreram os efeitos dessa crise. E o governo federal acabou sendo obrigado a liberar mais verbas além do planejado inicialmente.

 

Todas as edições estouraram orçamento –

Conforme o resultado da pesquisa da Universidade de Oxford, as dificuldades em manter-se no orçamento não foi uma exclusividade brasileira. As demais 15 sedes de Olimpíadas analisadas desde Roma, em 1960, ultrapassaram os gastos que haviam afirmado inicialmente.

 

Os dados mostram que a média de custo de todas as Olimpíadas foi 156% maior que o planejado. Nenhuma sede conseguiu cumprir os valores orçados. E muitas delas mais que duplicaram o valor de investimento. Os dois últimos Jogos Olímpicos foram os mais caros da história, tanto os de verão, em Londres (2012), com custo de US$15 bilhões, quanto os de inverno, em Sochi (2014), custando US$22 millhões.

 

Em média, o valor gasto para Olimpíadas até o momento foi de US$ 5,2 milhões, no caso das competições de verão; enquanto que o custo médio para as de inverno foi US$3,1 milhões. Mas nenhuma das sedes foi completamente transparente em relação à divulgação desses dados. Todas afirmaram que gastaram menos do que a realidade mostra.

 

Obras “no custo e no prazo”, diz Paes

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, no entanto, nega que tenha ultrapassado o valor previsto. O governante afirma que o projeto original, quando a cidade se candidatou, era de US$6,4 bilhões e que foram gastos US$ 4,1 bilhões até o momento, o que representaria uma redução e não um aumento das despesas.

 

A maioria parte dos recursos, em torno de 60%, de acordo com Paes, teria vindo do setor privado. Com isso, foi possível manter o equilíbrio nas contas no que diz respeito às Olimpíadas Rio 2016. Essa informação também é confirmada pelo relatório da Universidade de Oxford, que comprovou que os gastos não foram dos piores.

 

Estouro dos custos dentro da média –

Como todas as Olimpíadas ultrapassaram o valor previsto, a do Rio acabou, inclusive, ficando abaixo da média histórica. Enquanto o custo médio por atleta foi de cerca de US$ 600 mil nas demais edições, o Rio conseguiu fazer isso com US$ 400 mil.

 

Em 1976, Montreal conseguiu estourar o orçamento em 720%, o pior da história. Isso deixou uma dívida de 30 anos na cidade canadense. Já Pequim foi a sede que se manteve mais de acordo com o previsto, ultrapassando apenas 2% do valor planejado.

 

A estimativa é que o Brasil não siga o mesmo caminho de Atenas, por exemplo, que ainda hoje vivem os efeitos de uma crise econômica por ter realizado as Olimpíadas. Mas o cenário brasileiro não é dos mais favoráveis. É necessária uma gestão realmente eficaz dos recursos para não levar o país para o buraco.

 

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