Novo modelo de Internet prejudica usuários

Operadoras de banda larga querem limitar ainda mais o consumo de Dados de internet. 

O acesso dos brasileiros a serviços de banda larga tem sido cada vez mais limitado. E isso promete piorar com o novo projeto de Internet. As operadoras propuseram bloquear o acesso à rede assim que o limite da franquia contratada atingir 100%. Algumas empresas já atuam nesse modelo, como é o caso da NET, que funciona assim desde 2004, sem nenhuma providência por parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que regulamenta o setor.

Hoje, as operadoras de telefonia móvel já cobram uma média exorbitante de R$70 a R$ 90 por um mísero pacote de dados de 1 GB para dispositivos móveis. Com esse valor, não é possível nem assistir a dois vídeos de 40 MB. Ou seja, seu pacote pode ser consumido em apenas um dia ou, talvez, horas. Se quiser continuar utilizando os serviços, vai ser preciso contratar um novo pacote ou pagar uma taxa adicional. Quando chega o fim do mês, vem o susto: uma bela fatura de R$50 extras.

Empresas não entregam nem metade da Internet que prometem

Neste mesmo modelo dos celulares, os fornecedores de banda larga estão tentando implantar para os consumidores brasileiros de dispositivos fixos bloqueios de acordo com o uso. E o pior é que já se paga uma média de R$70 a R$ 120 por 2MB ou 5MB. No entanto, não é entregue nem 50% deste serviço ao usuário brasileiro.

É como pagar por um carro e não poder usufruir dele. É como ter três pistas na rodovia, mas só poder trafegar por uma, congestionando-a. Seria como abastecer seu veículo até o limite, mas só poder utilizar 10% do combustível que você comprou. Você paga, mas não tem o direito de utilizar tudo.

E o cenário é preocupante. Principalmente porque as autoridades competentes acobertam isso, como é o caso da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “Os usuários ficaram muito mau acostumados com este negócio de Internet ilimitada”, avaliou o presidente do órgão, João Batista de Rezende.

Por outro lado, há quem defenda o direito do consumidor. Um desses é o senador José Medeiros (PSD-MT), membro da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) da Casa. “As operadoras não querem evoluir, querem cobrar mais caro pelos mesmos serviços”, justificou o parlamentar.

 Anatel proíbe interrupção de banda larga por tempo indeterminado

Na última sexta-feira (22/04), ficou decidido que as fornecedoras de serviços de banda larga não poderão limitar o acesso aos serviços. O prazo, que era de 90 dias, foi prorrogado por tempo ilimitado, até que a diretoria da Anatel decida sobre quais medidas tomar.

O desfecho já esta à vista. Mais uma vez, quem paga mais caro será o usuário final, menos favorecido. Em caráter primário, a agência regulamentadora propôs que as operadoras disponibilizem ferramentas que permitam aos consumidores acompanhar o seu dinheiro indo ralo abaixo.

Em nada refresca aos consumidores, saturados de tanto desrespeito, tanta exploração um plano que o permita acompanhar os seus gastos de banda larga e consultar o seu histórico de consumo e a notificação do esgotamento de seus serviços contratados. Isso em nada contribui com os menos favorecidos.

Em resposta ao manifesto da Anatel, favoravelmente à franquia de banda larga, alguns ataques derrubaram os servidores da agência, que teve seus serviços interrompidos por 24h.

Mais uma vez o presidente da agência, João Rezende, critica os usuários de banda larga, alega que a culpa é dos jogadores de jogos online. “ Isso gasta um volume de banda larga muito grande”, especulou. De braços dados com as operadoras, ele só repetiu o posicionamento das grandes empresas do setor.

 

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