Itamar, FHC e o Plano Real: o otimismo se fortalece

Enfrentar a crise exige otimismo

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As pessoas que hoje estão na denominada Terceira Idade já passaram por inúmeras crises em suas vidas. Ao considerarmos o período sombrio a partir da década de 1960, quando enfrentamos uma ditadura, quando as liberdades foram cerceadas, podemos considerar um período em que havia tranquilidade financeira, quando as pessoas não reclamavam de qualquer inflação e quando o salário mínimo comportava a subsistência de uma família média.
Era o contraponto, quando uma minoria buscava a liberdade através de atos de terrorismo, enquanto que a grande maioria vivia um período de paz, fugindo de confrontos e de jogos políticos. Podemos até mesmo encontrar nesse período, que durou até 1985, determinadas razões que fazem hoje alguns grupos pedirem a intervenção militar como solução para a atual crise que enfrentamos.
A volta à democracia trouxe também as intempéries dos pensamentos e das vontades, sempre tão espalhados, tornando-se uma fase em que praticamente todos buscavam apresentar tantas ideias que não puderam vir a público na ditadura militar e, em consequência, não trazendo um caminho que pudesse ser trilhado por todos, em busca da segurança financeira e da pseudo-estabilidade existente na ditadura.

A crise de Sarney e Collor: enfrentada com otimismo


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A ascenção de Sarney trouxe à tona também todos os problemas financeiros que se mantiveram encobertos nos anos anteriores, provocando inflação que chegou a 80% ao mês. Os que viveram na época lembram-se até mesmo dos “fiscais do Sarney”, que denunciavam os preços abusivos, ou podem se lembrar do bloqueio dos pecuaristas, que escondiam a carne para especular com seu preços.
Mudança de moedas, planos e planos de estabilidade buscados, nada deu resultado na época, mas o povo brasileiro sempre manteve o otimismo e sempre buscou meios de sobreviver, mesmo à custa de sacrifícios.
Sacrifícios que pareciam encerrados com as promessas de Fernando Collor, que foi pensado e imaginado como “o novo”, trazendo novas esperanças e anseios nessa busca de saída da crise.
Uma busca que pouco durou, afinal, depois da descoberta de esquemas corruptos que o levaram ao comando do país (e vemos aqui muita similaridade com os tempos atuais), acabando por levar o país à beira da bancarrota, com confisco de finanças e tantas medidas que acabaram por causar apenas prejuízo aos mais diversos setores.

Itamar, FHC e o Plano Real: o otimismo se fortalece

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Com a queda de Fernando Collor os brasileiros acabam por chegar a uma trégua, depois de tantos anos de crise. Mesmo tendo sido uma pessoa que se apresentava por vezes fora de qualquer protocolo, com vários episódios que o marcaram como impulsivo, Itamar conseguiu a grande façanha, através da criação do Plano Real, elaborado por Fernando Henrique que, afinal, o sucedeu.
O Plano Real trouxe o que sempre o brasileiro buscou: estabilidade financeira, que trouxe crescimento, que trouxe desenvolvimento, que trouxe possibilidades de projeção futura, sem as incertezas que os momentos de crise dos anos anteriores não deixavam criar.
Pensamos, no entanto, que a estabilidade fosse eterna e, infelizmente, nos deixamos levar por ela, buscando também novos rumos para o pensamento e para os rumos do país. Essa busca acabou por levar ao posto máximo do país a figura de um novo herói, criado na mentalidade popular, que poderia fazer do Brasil um país mais livre e mais comprometido com os que compõem sua multifacetada miscigenação.

Nova crise criada pela corrupção: precisamos de otimismo

O PT no poder parecia a todos uma utopia que se concretizava, um novo período de crescimento, a continuidade da estabilidade do Plano Real, o primeiro depois de anos e anos de ingerência administrativa e financeira.
E, claro, poderia ter sido. Poderia nos trazer a continuidade, mesmo o Brasil tendo atravessado a crise de 2008, quando parecia que o mundo ia quebrar. Mantínhamos a cabeça erguida, mantínhamos o poder de compra e tínhamos um horizonte.
Em contraponto ao desejo de todos os brasileiros, um partido que sempre lutou pela igualdade acabou por se tornar o ícone maior do mal que sempre perpassou pela história, mostrando-se muito mais interessado em manter o poder do que manter os rumos da história criada pelo Plano Real.
Hoje vivemos uma nova crise, muito mais severa do que a última, criada apenas pela sede de poder, um poder que se pensou pudesse ser mantido à custa da corrupção e do desvio do dinheiro público.
Nesse momento é que precisamos vivenciar mais o otimismo. Um momento de crise sempre deve ser o momento para novas oportunidades, que não podem ser perdidas nem relegadas a um plano secundário.
Se antes mantivemos o otimismo, devemos fazer desse momento o momento maior de luta pela volta às condições que sempre imaginamos para nossas famílias e nossos filhos. O momento é apenas um momento e todos eles passam, como passará também a crise e como passarão, com ela, todos os que desvirtuaram os caminhos nacionais.
Ao pensarmos que este é um momento que ficará para a história quando passarmos por ele, devemos manter o espírito de luta e superar os indicativos da crise com a força do otimismo e da vontade.
E que nos sirva de lição tudo o que passamos para vivermos mais ao lado da verdade do que de promessas alicerçadas na sede do poder.

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