Financial Times// critica crise política brasileira

  Na última semana, o Financial Times, o mais importante  jornal da Inglaterra, publicou um editorial onde criticava a  situação brasileira, diante de tantas denúncias de  corrupção e de recessão crescente, considerando que a  situação no Brasil é igual a um “filme de terror sem fim”.

O texto do editorial, que traz o título “Recessão e  corrupção: a podridão crescente no Brasil”, certamente  deixa todos os brasileiros que tiveram acesso a ele com uma  sensação de frustração, de indignação, de impotência com  relação à situação enfrentada por nosso país, hoje tão mal visto por todos os países do mundo (à exceção, é claro de algumas venezuelas e argentinas), mostrando que o mundo espera uma posição definida de nosso Poder Judiciário e um rumo a ser tomado pelos que se consideram donos do poder.

Para o Financial Times, Dilma Rousseff enfrentará situação ainda mais difícil nos próximos tempos, uma vez que a recessão advinda da falta de uma administração coerente não é apenas um mal menor, trata-se, sim de uma doença grave, que contaminou todos os setores da economia e que começa a criar os efeitos colaterais, incluindo a inflação, que julgávamos tão distante no tempo, e o desemprego, que nunca esteve tão alto nos últimos doze anos.

O texto do Financial Times não minimiza a situação política nacional, considerando que os motivos que levaram à recessão e à corrupção foram “a incompetência, a arrogância e corrupção”, responsáveis por quebrar a magia que o Brasil tinha há alguns anos, quando podia verdadeiramente ser considerado como a oitava potência mundial.

O escândalo da Petrobrás, revelado pela Operação Lava Jato é um dos centros da questão, segundo o Financial Times, e sabemos que essa situação é verdadeira. Tudo começou quando uma pequena empresa lavadora de carros mostrou-se como um dos centros de algo que nunca se imaginou tão gigantesco. O envolvimento de tantos empresários e políticos, num esquema de corrupção que deixou o Mensalão no chinelo, assustou não só os brasileiros, mas toda a economia mundial.

Embora poucas pessoas acreditem que a presidente seja também corrupta, não há como negar que sua participação no Conselho de Administração da Petrobrás a deixe fora do problema, muito pelo contrário: chegará a hora em que irá responder por sua atuação, mostrando a realidade do que sabia ou não, embora já se tenha a certeza de que recebeu os privilégios dessa corrupção em suas campanhas.

Acrescido a isso, Dilma está também enfrentando a suspeita de manobras nas contas do governo, que estão sob julgamento no TCU e que podem trazer razões sérias para um segundo impeachment na história política brasileira, principalmente pelo fato de que, caso seja constatada a manobra, teremos fundamentadas essas razões.

Por incrível que pareça, é o que o povo brasileiro está esperando, mostrando que nossa sensibilidade, nosso orgulho, nossa força para mostrar um país sério e honesto foram relegadas a segundo plano, carregadas por um grupo que está mais interessado num plano de poder do que num plano de governo.

Nós temos a responsabilidade pelo que passamos

Dessa história, como a revista Veja está publicando esta semana, não escapa nem mesmo o ex-presidente Lula, que está sendo investigado pela Polícia Federal e que motivou investigações também em outros países, como Portugal, onde seu envolvimento com a Telecom veio à tona.

E, por falar em Lula, o seu envolvimento não para por aí, depois que o Ministério Público começou a investigar a maior empreiteira do país, a Construtora Odebrecht, cujo presidente está preso há mais de um mês e cada vez mais se complicando, principalmente por ordens expressas que despertaram a atenção do juiz encarregado do caso, Sérgio Moro.

O caso continua cada vez mais se complicando, mas podemos ver luzes no fim do túnel. Sabemos que sempre houve corrupção no mundo político e que este problema enfrentado agora só vem trazer a público o que acontece realmente nos bastidores.

Mas, se temos acesso a isso tudo, a todas as informações e a todos os envolvidos, temos também dentro do setor público pessoas do nível de Deltan Dallagnol, o procurador responsável pela Lava Jato, acompanhado de uma equipe que se apresenta como a mais competente para fazer toda a investigação, e do juiz já citado, Sérgio Moro, uma figura que se mostra inquebrantável dentro de todo o processo.

Assim, podemos ver e podemos crer que ainda existem homens sérios no setor público, mesmo que tenhamos uma minoria voltada para os interesses pessoais, denotando que existe um futuro para nosso país, mostrando que podemos ter esperanças de um país melhor no futuro, depois que toda essa crise tornar-se um fato histórico.

E, também, convenhamos: tudo o que estamos enfrentando, infelizmente, dependeu única e exclusivamente do voto dos brasileiros nas últimas eleições, colocando novamente no cargo maior político uma pessoa que mostrou não saber corresponder condignamente com a investidura do cargo.

Ou, talvez, devamos culpar a nossa situação atual pelos milhões de brasileiros que nem se deram ao trabalho de votar no segundo turno, um número bem representativo e que poderia ter definido outros rumos para o Brasil.

 

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