Crime internacional: Odebrecht pagou propina a políticos de oito países

Crime internacional Odebrecht pagou propina a políticos de oito países

De acordo com reportagem do jornal El País, Marcelo Odebrecht pagou mais de US$ 200 mi em propina a políticos de oito países.

O jornal espanhol El País divulgou, nesta sexta-feira (10), informações sobre as investigações dos negócios criminosos da Odebrecht em Andorra. Os dados são surpreendentes: de acordo com a reportagem, a empreiteira pagou mais de US$200 milhões em propina para laranjas, empresários, políticos e funcionários em oito países da América Latina.

De acordo com as investigações, a empreiteira apresentava políticos a bancos no principado. O objetivo era abrir contas para onde o dinheiro da corrupção poderia ser enviado sem que as transações pudessem ser identificadas pelos órgãos de controle de seus países.[ads1]

Os titulares seriam, de acordo com o jornal, advogados, funcionários, políticos e membros do alto escalão do Brasil e de países como Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Uruguai. Todos eram pagos por Marcelo Odebrecht, o dono da empreiteira, que atualmente está preso em Curitiba.

A reportagem aponta o banco Banca Privada d’Andorra (BPA) como um dos mais utilizados na transferência de propina. Nele, foram investigados mais de 145 clientes e suas contas. Vale lembrar que o BPA já tem histórico de investigações em seu currículo. Em 2015, foi denunciado por suspeita de lavagem de dinheiro.

Além do banco de Andorra, o Meinl Bank, de Antígua e Barbuda, também foi muito usado nos repasses para os políticos investigados.

Paraíso Fiscal

Andorra não foi escolhida por acaso. O principado, por muito tempo, foi considerado um paraíso fiscal – expressão utilizada para definir locais com poucas restrições ou tributação, garantindo sigilo dos titulares. O objetivo dessas facilidades é atrair capital estrangeiro. Após muita pressão internacional, o país abriu mão do título no ano passado.

No esquema de Marcelo Odebrecht , os pagamentos eram realizados por meio das offshores Aeon Group e Klienfeld Services Limited. Os funcionários da BPA, por sua vez, criavam sociedades no Panamá – que serviam de laranjas para ocultar os nomes dos verdadeiros donos das contas. Só por meio da Klienfeld, os investigadores conseguiram identificar mais de US$200 milhões em pagamentos.

O El País chamou a denúncia de “bomba política” que levantaria escândalos em mais doze países latinoamericanos. De acordo com o periódico, os estilhaços têm o poder de impactar os governos dos presidentes Michel Temer, Juan Manuel Santos – da Colômbia – e Danilo Medina – que chefia a República Dominicana.

Além desses governantes, os “destroços” também afetariam a imagem dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Ollanta Humala – ex-chefe de Estado do Peru, no momento preso por corrupção.

Propina na Suíça

Essa investigação de Andorra é apenas um braço do acordo de leniência realizado pelo grupo com Brasil, EUA e Suíça.

No início de outubro, já havia sido descoberto parte de como esse esquema funcionava. Em uma das averiguações nas contas da Klienfeld, destaca-se a movimentação de US$ 99,7 milhões na compra de “US Treasury Bills”, títulos do tesouro dos EUA. O dinheiro foi, em seguida, repassado para um banco suíço, o Banco Espírito Santo (BES).

O objetivo da compra de títulos americanos e sua posterior transferência seria camuflar a origem e o destino das movimentações mensais realizadas pela Odebrecht.

A Klienfeld também foi utilizada para realizar pagamentos de propina para os ex-diretores da Petrobrás Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Jorge Luiz Zelada e Nestor Cerveró.

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