Áudio feito pelos donos do grupo JBS gera crise no governo

Áudio feito pelos donos do grupo JBS gera crise no governo

Os empresários donos do grupo JBS, Joesley e Wesley Batista, gravaram um áudio onde Michel Temer fala concedendo o aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha-PMDB-RJ (deputado cassado).

As gravações foram entregues a Edson Fachim ( Ministro do Supremo Tribunal Federal) no dia 10 deste mês durante a delação premiada que ainda não foi homologada.[ads2]

Na conversa o presidente faz a indicação de Rodrigo Rocha Loures -PMDB-PR, para resolver assuntos da J&F ( empresa que administra o grupo JBS). Numa outra gravação, desta vez em vídeo, Loures aparece recebendo uma mala com a quantia de R$ 500 mil, que foram enviados por Joesley. 

Segundo o jornal O Globo, Michel Temer e Joesley se reuniram no Palácio do Jaburu no dia 7 de março por volta das 22h30. A conversa entre eles durou em média 40 minutos e o empresário teria dito a Temer que estava pagando um mesada para Eduardo Cunha e Lucio Funaro (que estão na prisão) para que permanecessem calados, Michel Temer incentivou dizendo: Tem que manter isso, viu?.

Os procuradores do empresário disseram que o presidente não pediu que Joesley fizesse pagamento de mesada, mas sabia de todo o esquema.[ads2]

Esta foi a primeira vez em que a força-tarefa da operação Lava-jato realizou ações de forma controlada no intuito de ter um flagrante como prova. E com isso a ação foi adiada para que houvesse tempo da polícia fazer a investigação.

O delator informou também que Guido Mantega (ex ministro) intermediava junto ao PT ( Partido dos Trabalhadores) os pagamentos de propina.

Outro que também aparece nas gravações é o senador Aécio Neves, ele pede R$ 2 milhões ao dono da JBS. O valor foi dado ao presidente do PSDB. A cena foi filmada pela Polícia Federal que rastreou o caminho do dinheiro que teve como destino um deposito na conta do senador Zezé Parrela -PMDS-MG.

A resposta do presidente Michel Temer

Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que o presidente “jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha”. “Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar. O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República”, diz o texto. “O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados”, conclui.[ads2]

Aécio Neves também se manifestou por meio de nota divulgada pelo Planalto “absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos. No que se refere à relação com o senhor Joesley Batista, ela era estritamente pessoal, sem qualquer envolvimento com o setor público. O senador aguarda ter acesso ao conjunto das informações para prestar todos os esclarecimentos necessários”.

A assessoria de Eduardo Cunha informou à Rede Globo que não irá comentar o assunto, já Guido Mantega ainda não se manifestou a respeito.[ads1]