Arrecadação de impostos pode ser a menor em 15 anos

Carga tributária de julho teve redução de 5,8% em relação ao mesmo período de 2015

O brasileiro reclama que nunca pagou tanto imposto na vida. Mas os dados revelam que, na verdade, a carga tributária real de 2016 deve ser uma das mais baixas desde 2001. De acordo com pesquisa do Termômetro Tributário, as arrecadações do Governo Federal devem chegar a 33,2% do PIB, o mesmo do ano de 2002.

Isso se deve especialmente à recessão econômica, que têm diminuído o recolhimento de tributos e demais contribuições, conforme apontam os economistas responsáveis pelo estudo.

A principal redução na arrecadação de impostos foi na parte previdenciária (de aposentadorias), que chegou a 7,4%. Mas também houve diminuição das taxas federais administrativas em 7%.

Quedas consecutivas desde 2014

A reeleição da presidente Dilma Rousseff coincidiu com o início da queda da arrecadação de impostos. Desde então, a cada ano, a carga tributária fica ainda menor. Mas a tendência é que, com a recuperação econômica, esses tributos voltem a aumentar.

Esses dados, no entanto, não são completamente oficiais, já que a Receita Federal é a responsável pela divulgação desse balanço tributário. No entanto, a última atualização anual foi realizada em 2014.

Julho de 2016 teve menor arrecadação de impostos em seis anos

No entanto, o órgão federal divulga balanços constantes sobre a arrecadação de impostos. E, nesta sexta-feira (19/08), foram liberados dados a respeito da carga tributária referente ao mês de julho.

O mês teve o pior recolhimento de impostos e contribuições federais desde 2010. A queda foi de 5,8% se comparado com julho de 2015, de acordo com a Receita Federal. Esse número foi de R$ 107,41 bilhões.

A explicação está nos problemas econômicos que o país enfrenta. Há muitos desempregados, além de o brasileiro ter passado a gastar menos comprando determinados produtos ou serviços. E ainda há os que acumulam dívidas, o que reduz a arrecadação de impostos.

 

Se for considerada toda a carga tributária acumulada de janeiro a julho deste ano, houve uma redução de 7,11% no recolhimento de tributos, em comparação com o mesmo período de 2015. O valor total foi de R$ 724 bilhões.

Retração na indústria também influenciou na arrecadação de impostos

Os números na indústria foram os grandes responsáveis por essa queda. De acordo com os dados do Fisco, houve uma redução da produção industrial em 6% em julho deste ano, comparado ao mesmo mês em 2015.

Outro ponto que contribuiu para essa retração foi o recuo da venda de bens, que ficou em torno de 8,37%. Devido à alta cotação do dólar, as importações também têm tido retrocesso, e essa diminuição foi de 29,4%.

Com mais demissões, acaba aumentando o pagamento do seguro desemprego, o que gera mais despesas para o governo e diminui a arrecadação de impostos previdenciários. A redução no recolhimento de tributos do gênero foi de cerca de R$ 450 milhões em julho.

Alguns setores também tiveram desoneração na folha de pagamento, o que ajudou na queda da carga tributária. O recuso para o recolhimento desse tipo de impostos foi de R$ 7,56 bilhões em julho de 2016.

Arrecadação de impostos vem aumentando ao longo do ano

Mesmo que os resultados não sejam satisfatórios, essa queda na carga tributária vem sendo menor desde janeiro. No primeiro trimestre do ano, por exemplo, a redução no recolhimento de impostos foi de 8,19%. Mas, a cada mês, essa retração foi sendo diminuída.

Isso demonstra mais otimismo em relação aos próximos balanços, como aponta a Receita Federal. A perspectiva é que a arrecadação de impostos vá aumentando gradativamente de acordo com a recuperação econômica do país.

Fontes:

G1

Folha de S. Paulo

O Globo