Delatores da Odebrecht negam relação com aluguel do apartamento de Lula

Apesar de confirmarem negociata de terreno para Instituto Lula, delatores demonstram surpresa ao saberem de apartamento.

Em resposta à denúncia realizada pelo Ministério Público Federal, a fontes delatoras da Odebrecht negaram qualquer vínculo com o apartamento alugado por Lula em São Bernardo do Campo (SP). De acordo com a acusação do órgão, o local teria sido comprado com o dinheiro fornecido pela empresa.

A denúncia faz parte da ação que acusa o ex-presidente de ter recebido propina da Odebrecht. Além do apartamento, o acordo incluiria também a compra de um terreno que seria utilizado como sede para o Instituto Lula, o que foi confirmado pelos delatores. A previsão é que a sentença do caso, que é julgado pelo juiz Sérgio Moro, seja proferida nos próximos meses.

O apartamento, ainda é ocupado pelo petista, foi comprado em 2010 pelo engenheiro Glaucos da Costamarques, que teria sido o intermediário entre Lula e a Odebrecht. Glaucos também teria recebido anteriormente a quantia de R$ 800 mil da DAG Construtora, empresa ligada à empreiteira acusada.

O contrato com a suposta locação teria sido firmado entre Costamarques e a ex-primeira-dama, Marisa Letícia, morta em fevereiro. No entanto, o engenheiro não recebia nenhum pagamento pelo imóvel até a prisão de José Carlos Bumlai pela investigação da Lava-Jato, em 2015. O pecuarista, agora réu da operação, era amigo em comum de Lula e Glaucos.

A defesa do petista afirma que, diferentemente da acusação da Polícia Federal, não houve qualquer favorecimento a Lula e que os pagamentos eram declarados pelo Imposto de Renda. No entanto, até o momento, nenhum documento que comprove essas transações foi apresentado.

Durante o depoimento dado pelo ex-presidente ao juiz Sérgio Moro no último dia 13, ele afirmou nunca ter se envolvido com as contas pessoais do casal, que seriam de responsabilidade de Marisa, e que, portanto, não teria conhecimento dos pagamentos ou da dívida. O magistrado insistiu várias vezes nas perguntas relacionadas ao apartamento, o que denota que o detalhe será parte importante na sentença final que será dada a Lula.

A denúncia[ads1]

O Ministério Público entrou com a denúncia contra Lula após a quebra de sigilo telefônico dos acusados. O órgão reuniu as informações e concluiu que o apartamento estaria envolvido no caso. Os procuradores, então, recolheram provas e depoimentos, incluindo um contrato de locação da unidade.

De acordo com a denúncia, o imóvel era parte de um acordo ilícito de Lula com a Odebrecht, o que também envolveria o terreno da zona sul de São Paulo que seria utilizado para a construção do Instituto Lula. As propriedades eram a contrapartida pelos benefícios concedidos à Odebrecht em negociações com a Petrobrás.

Marcelo Odebrecht, que permanece preso, afirmou, em depoimento prestado há três semanas, não ter conhecimento sobre o caso. Ele então sugeriu que os investigadores consultassem aos delatores Paulo Melo, da Odebrecht Realizações, e Dermeval de Souza, da DAG Construtora.

Ambos, no entanto, informaram não saber que o apartamento estava envolvido na negociata. Todos os executivos consultados pela PF relataram surpresa com a informação e afirmaram só terem tomado conhecimento do caso após os procuradores mencionarem a acusação.

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