Como a tecnologia está ajudando os refugiados Sírios no caminho à Europa

Em uma sociedade que está cada vez mais dependente da tecnologia, muitos consideram ficar com a bateria de smartphone descarregada como um caso de vida ou morte. Porém, para os refúgiados sírios que fogem da guerra civil em seu país, essa afirmação não é uma hipérbole motivada pelo vício nas redes sociais. O uso da tecnologia está sendo crucial para muitos refugiados chegarem até à Europa, e o smartphone está no topo da escala de prioridades dessas pessoas que fogem da guerra que assola o país ha 4 anos.

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Manter as baterias carregadas tem sido um grande desafio para os refugiados, como os que se encontram ilhados na estação de trem de Budapeste, na Hungria, que contam com apenas uma tomada na estação, e precisam recorrer aos escritórios de ajuda aos refugiados, ou até mesmo aos caminhões das estações de notícias, como relatou o New Scientist. E o desespero para carregar as baterias não é por acaso, é através de algumas ferramentas online que os refigiados recebem, em tempo real, informações sobre prisões, rotas mais seguras, transportes e também mantém o contato com a família e amigos.

Navegação GPS

A principal ferramenta usada pelos refugiados tem sido os navegadores GPS, como o fornecido pelo Google Maps. Com o compartilhamento de rotas, milhares de pessoas que estão a caminho da Europa, nesta que é a maior crise de refugiados desde a II Guerra Mundial, podem buscar melhores alternativas para chegarem em segurança aos destinos almejados.

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Um exemplo é a rota de um homem de 34 anos de idade registrada pelo refugiado com um smartphone, com a ajuda do grupo humanitário “Comitê Internacional de Resgate” (IRC, na sigla em inglês):

A rota documentada pelo IRC mostra a saída do refugiado e sua família em 14 de junho da cidade de Aleppo, no norte da Síria, até sua chegada em Hamburgo, na Alemanha. Todos os percalços encontrados por ele no caminho estão detalhados no mapa criado na plataforma do Google, e servem de consulta para outros refugiados.

Segundo o The New York Times, o compartilhamento de rotas faz com que os refugiados não precisam mais pagar os preços altos exigidos por grupos de traficantes de pessoas, que eram até então os principais responsáveis pela travessia dos refugiados para a Europa.

Facebook

A redes sociais também tem sido um ponto crítico na organização e compartilhamento de informações sobre rotas entres os refugiados, e tem também ajudado a diminuir a influências do tráfico humano.

– Graças ao Facebook, os traficantes estão perdendo seus negócios, pois as pessoas estão fazendo as travessias sozinhas – explicou Mohamed Ali Haj, ao The New York Times. Ele faz parte da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais em Belgrado, na Sérvia.

As informações são divulgadas em grupos como o “Contrabando para a EU”, que tem mais de 23 mil membros, e “Como emigrar para a Europa”, com mais de 39 mil usuários.

Whatsapp

Programas de mensagem instantânea como o WhatsApp também auxiliam nessa jornada, fornecendo um elo crítico com os amigos e familiares que ficaram para trás. As organizações humanitárias já começaram a reconhecer a importância dos  smartphone para estes refugiados. Na Jordânia, um escritório da ONU distribui cartões SIM (chips de celular), e no Líbano e no norte do Iraque, o IRC tem distribuído milhares de carregadores movidos a energia solar.

“AirBnB” para refugiados

Outra ferramenta tecnológica que tem se destacado na ajuda aos refugiados é o site Flüchtlinge Willkommen (“Bem-vindos, refugiados”, em alemão). Tendo sido chamado de “AirBnB para refugiados”, a plataforma online já conta com a inscrição de mais de 800 pessoas, que decidiram abrir suas próprias casas para receber os refugiados.

Internet em áreas críticas

Tendo a internet como elo central de todas essas ferramentas, um grupo de voluntários está transformando algumas pessoas em “hotspots móveis”. Com um custo de cerca de 100 dólares, os voluntários podem colocar um hotspot wi-fi com um chip pré pago na mochila de alguém que está no meio dos refugiados. Com o sugestivo nome “Free Wi-Fi, please no YouTube”, cada ponto de acesso dura por cerca de 6 horas, até precisar ser recarregado.

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Podem parecer soluções simples, e até mesmo triviais para os mais adeptos à tecnologia, mas são ferramentas que tem ajudado a salvar a vida de milhares de pessoas.

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